
A chamada lei antifumo, uma regulamentação sancionada pelo governador José Serra (PSDB) no último mês de maio, proíbe o uso de cigarro e derivados de tabaco em ambientes de uso coletivo, tanto públicos quanto privados, em todo o Estado de São Paulo. Por enquanto, bares, restaurantes e danceterias estão em fase de adaptação, já que a lei entra em vigor em agosto – ainda é possível ver pessoas fumando em alguns restaurantes, por exemplo. Quando a nova lei começar a valer, deverá haver uma mudança grande de comportamento da população, bastante acostumada com a divisão, às vezes precária, entre áreas de fumantes e não-fumantes nos locais. O que se espera com isso, além de acabar com a figura do fumante passivo, é também desestimular o fumo, reduzindo o número de fumantes – só no Brasil, 30% da população adulta fuma. “A redução do tabagismo passivo será muito importante, porque quem está ao lado do fumante também inala toda fumaça e as substâncias tóxicas nela presentes”, explica o pneumologista do Hospital 9 de Julho, Dr. Pedro Medeiros Junior. “Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que filhos de pais fumantes têm de cinco a dez vezes mais chances de desenvolver asma, bronquite e alergias respiratórias“, complementa.
A vantagem, atualmente, é que existem alternativas eficientes para ajudar quem fuma a abandonar o vício. A melhor recomendação para quem não consegue parar sozinho, é procurar ajuda médica – o acompanhamento médico e psicológico, junto com a prescrição de alguns medicamentos de auxílio, pode ajudar bastante e ter resultados efetivos. Eles auxiliam a pessoa a driblar a falta das substâncias presentes no tabaco, como a nicotina – é ela a principal responsável pela sensação de bem-estar descrita pelos fumantes. Isso porque a nicotina atinge determinadas partes do encéfalo, desencadeando uma descarga de dopamina, substância que provoca a sensação de prazer. Porém, como ocorre com diversos estimulantes, com o passar do tempo esse efeito só é obtido com doses maiores – e cada pessoa vai aumentando o número de cigarros por dia até atingir seu índice máximo de tolerância, alguns fumando um maço inteiro, outros meio maço por dia. “Esse efeito acontece porque o cigarro é uma droga como qualquer outra, que causa dependência e tolerância. E ela provoca também uma dependência psíquica, que precisa ser trabalhada numa terapia para que a pessoa consiga parar sem ter recaídas“, afirma o médico.
As conseqüências da persistência no fumo aparecem com o tempo, provocadas pelas mais de 4.700 substâncias tóxicas do cigarro. Pode ocorrer enfisema pulmonar, bronquite crônica e o risco de câncer se torna até 20 vezes maior. O cigarro também acelera o envelhecimento dos vasos arteriais e determina o aparecimento de esclerose precoce, aumentando o risco de infarto agudo do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, impotência sexual, úlcera gástrica, Alzheimer e osteoporose. “A maioria das doenças que mais matam no mundo hoje está relacionada ao cigarro“, diz Dr. Pedro Medeiros. Ah, fumantes ainda aparentam ser cinco anos mais velhos do que são!
O estímulo para quem fuma é que, ao parar com o cigarro, a pressão arterial e os batimentos cardíacos caem logo após e o risco de úlcera gástrica também fica reduzido minutos depois que você para de fumar. Após um ano, o risco de doenças do coração cai pela metade. E de tumores na bexiga, cabeça, pescoço e pulmão vão se reduzindo com os anos. Após 15 anos, o risco de AVC volta ao nível de quem não fuma. Portanto, neste caso, tempo é saúde e não vale a pena esperar muito.




















