Convidamos o Dr. Capalbo, superintendente médico do Hospital 9 de Julho, para mostrar um pouco do outro lado da sua vida que seus pacientes e colegas de trabalho nem sempre têm a oportunidade de conhecer. Perguntamos sobre seus hobbys e atividades não ligadas à medicina, e em resposta, recebemos um texto poético e apaixonado de um homem que realizou seu sonho de voar.
Toda conquista começa com um sonho, seja ele pequeno ou ambicioso, seja possível ou devaneio – não importa. O homem que deixa de sonhar passa a ver o mundo sem cor, e para mim, voar é sonhar, assim como sonhar é voar. Cortar nosso cordão umbilical com a terra e deixar abaixo de nós angústias e frustrações, para encontrarmos uma paz diferente, num lugar onde nós, simples mortais, dividimos espaço com seres e deuses imortais representados pela força da natureza.
Não existe piloto que não seja um sonhador e nossa capacidade de voar nasceu de sonhos inspirados no mitológico Ícaro que se transformaram em realidade nas mãos de visionários como Santos Dumont, Padre Bartolomeu de Gusmão e Leonardo da Vinci. Assim somos nós, pilotos que voam por paixão, por emoção.
No meu caso, já nasci fascinado pela aviação. Desde a minha tenra infância até hoje não consigo deixar de procurar no céu algum avião quando ouço o ruído de seu motor. É inexplicável depois de tantos anos esse fascínio. Isso ainda acabou sendo reforçado pelo meu tempo como médico da FAB em Brasília, no qual tive oportunidades de voar pelo território nacional em missões aeromédicas principalmente pelo Centro Oeste e Norte do País. Confesso que na época tive que tomar uma decisão, pois pensei algumas vezes em me tornar piloto de linha aérea pela facilidade de estar na Aeronáutica. Porém optei por continuar na Medicina e fazer dos vôos um prazeroso hobby, e não me arrependo em nada de minha decisão.
Desde minha saída da FAB até a aquisição do primeiro Ultraleve foram 12 anos de trabalho. Na época, minha ansiedade já era tão grande em fazer o vôo solo, que comprei o Ultraleve antes de ter o brevet e ficava correndo pista no aérodromo de Atibaia sem nem mesmo tirá-lo do chão.
O primeiro vôo solo
Em 31/07/2000 meu instrutor chegou e disse: decola! Você está pronto.
Sentia um misto de pânico, emoção e falta de juízo, mas fui para a cabeceira da pista em Atibaia , enchi a mão no motor e em alguns segundos alcei meu primeiro vôo solo. Olhei para baixo, as casas e seu telhados ficando pequenos, a perspectiva do mundo lentamente mudando, descolei os pés do chão e fui em busca do êxtase de dominar meus medos e esquecer minhas tensões no controle daquela máquina.
Emoção controlada, decidi ir até a represa próxima a Atibaia onde desfrutei um visual incrível e me preparei para a etapa mais difícil do vôo – o retorno a base e o pouso. Dizem que decolar é opcional, mas que aterrissar é obrigatório, e minha esposa aguardava em terra.
Entrei no circuito de tráfego para pousar na mesma cabeceira que havia decolado, fiz uma aproximação final caprichada da qual ainda me lembro: motor com 4000 rpm, coração a 130 bpm, mãos frias, cruzei a cabeceira, arredondando, preparado para rajadas de vento. Pousei! Respirei fundo e dei um grito de emoção. Nessa hora, ví passar por cima de mim um avião monomotor que teve que arremeter o pouso, pois eu havia pousado na cabeceira errada devido à mudança do vento. Minha sorte que meu instrutor estava com o rádio e avisou o piloto do avião que eu estava pousando do lado errado e era para ele arremeter, pois é óbvio que meu ultraleve não tinha rádio.
Passado o susto, o que é importa é que decolei e pousei pela primeira vez uma aeronave simples, mas que dá muito baile em piloto de Boeing por se tratar de estrutura muito leve e sensível ao vôo controlado. Eu solei!

Convidamos o Dr. Capalbo, superintendente médico do Hospital 9 de Julho, para mostrar um pouco do outro lado da sua vida que seus pacientes e colegas de trabalho nem sempre têm a oportunidade de conhecer. Perguntamos sobre seus hobbies e atividades não ligadas à medicina, e em resposta, recebemos um texto poético e apaixonado de um homem que realizou seu sonho de voar.
Toda conquista começa com um sonho, seja ele pequeno ou ambicioso, seja possível ou devaneio – não importa. O homem que deixa de sonhar passa a ver o mundo sem cor, e para mim, voar é sonhar, assim como sonhar é voar. Cortar nosso cordão umbilical com a terra e deixar abaixo de nós angústias e frustrações, para encontrarmos uma paz diferente, num lugar onde nós, simples mortais, dividimos espaço com seres e deuses imortais representados pela força da natureza.
Não existe piloto que não seja um sonhador e nossa capacidade de voar nasceu de sonhos inspirados no mitológico Ícaro que se transformaram em realidade nas mãos de visionários como Santos Dumont, Padre Bartolomeu de Gusmão e Leonardo da Vinci. Assim somos nós, pilotos que voam por paixão, por emoção.
No meu caso, já nasci fascinado pela aviação. Desde a minha tenra infância até hoje não consigo deixar de procurar no céu algum avião quando ouço o ruído de seu motor. É inexplicável depois de tantos anos esse fascínio. Isso ainda acabou sendo reforçado pelo meu tempo como médico da FAB em Brasília, no qual tive oportunidades de voar pelo território nacional em missões aeromédicas principalmente pelo Centro Oeste e Norte do País. Confesso que na época tive que tomar uma decisão, pois pensei algumas vezes em me tornar piloto de linha aérea pela facilidade de estar na Aeronáutica. Porém optei por continuar na Medicina e fazer dos vôos um prazeroso hobby, e não me arrependo em nada de minha decisão.
Desde minha saída da FAB até a aquisição do primeiro Ultraleve foram 12 anos de trabalho. Na época, minha ansiedade já era tão grande em fazer o vôo solo, que comprei o Ultraleve antes de ter o brevet e ficava correndo pista no aérodromo de Atibaia sem nem mesmo tirá-lo do chão.

O primeiro vôo solo
Em 31/07/2000 meu instrutor chegou e disse: decola! Você está pronto.
Sentia um misto de pânico, emoção e falta de juízo, mas fui para a cabeceira da pista em Atibaia , enchi a mão no motor e em alguns segundos alcei meu primeiro vôo solo. Olhei para baixo, as casas e seu telhados ficando pequenos, a perspectiva do mundo lentamente mudando, descolei os pés do chão e fui em busca do êxtase de dominar meus medos e esquecer minhas tensões no controle daquela máquina.
Emoção controlada, decidi ir até a represa próxima a Atibaia onde desfrutei um visual incrível e me preparei para a etapa mais difícil do vôo – o retorno a base e o pouso. Dizem que decolar é opcional, mas que aterrissar é obrigatório, e minha esposa aguardava em terra.
Entrei no circuito de tráfego para pousar na mesma cabeceira que havia decolado, fiz uma aproximação final caprichada da qual ainda me lembro: motor com 4000 rpm, coração a 130 bpm, mãos frias, cruzei a cabeceira, arredondando, preparado para rajadas de vento. Pousei! Respirei fundo e dei um grito de emoção. Nessa hora, ví passar por cima de mim um avião monomotor que teve que arremeter o pouso, pois eu havia pousado na cabeceira errada devido à mudança do vento. Minha sorte que meu instrutor estava com o rádio e avisou o piloto do avião que eu estava pousando do lado errado e era para ele arremeter, pois é óbvio que meu ultraleve não tinha rádio.
Passado o susto, o que é importa é que decolei e pousei pela primeira vez uma aeronave simples, mas que dá muito baile em piloto de Boeing por se tratar de estrutura muito leve e sensível ao vôo controlado. Eu solei!
Clique aqui para conferir algumas imagens do Dr. Capalbo exercendo o seu hobby.