
Aconteceu no último sábado, 11, no Auditório do Hospital 9 de Julho, a Jornada de Trauma: Avanços e controvérsias no atendimento pré-hospitalar ao traumatizado.
No evento, 11 médicos e uma psicóloga palestraram e entre eles estavam o Dr. Jay Doucet, cirurgião de Trauma dos Estados Unidos; vindo do Chile, o Dr. Andrés LLarena, anestesista e especialista em medicina hiperbárica e de mergulho da Marinha Americana, e o Dr. Jorge Ribera, médico do GRAU em São Paulo.
Os médicos puderam falar sobre suas experiências e conversar, de forma mais profunda, ao longo de sete módulos:
• Atendimento a desastres e preparo para catástrofes

Dr. Jay Doucet falou sobre a organização necessária para a administração correta e mais eficiente de catástrofes e desastres. O planejamento é essencial para que o controle seja o maior possível. “Para cada minuto de caos, são necessários cinco minutos para a reorganização”, explicou ele, que tem experiência em desastres como o acontecido em 11 de setembro de 2001, e em atendimento em guerras, por ter atendido durante a guerra no Afeganistão. Ele é presidente do Subcomitê de Desastres na Escola Americana para Cirurgiões, serviu como cirurgião militar nas Forças Canadenses e trabalhou dois anos no Centro de Trauma do hospital Los Angeles County.
• Experiências mundiais em desastres e catástrofes

Nesse módulo o Dr. Jorge Ribera, do Grupo de Resgate e Atendimento a Urgências da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (GRAU), relatou suas experiências em Santa Catarina, São Luiz do Paraitinga (SP) e na cidade de Branquinha, em Alagoas, onde um tsunami de água doce causou uma enorme inundação.
Por sua experiência no Afeganistão, Dr. Jay Doucet discorreu sobre esse período que, de acordo com ele, é um desastre diário. Nos campos de batalha, um dos maiores desafios para um médico é o próprio ambiente, já que tem que atender aos pacientes em meio a tiroteios e outras condições complicadas.
Para falar sobre o acontecimento com os mineiros no Chile, a Jornada de Trauma contou com o Dr. Andrés LLarena, que relatou passo a passo como foi o resgate.
• Avanços no atendimento pré-hospitalar
A Drª. Junia Sueoka (coordenadora Geral do SAME 199 de São Caetano do Sul), o Dr. Renato Poggetti (cirurgião de Trauma do H9J) e o Dr. Eduardo Nogueira, médico cirurgião torácico pelo HC-FMUSP, falaram das novidades e dos novos dispositivos que estão sendo usados no controle de sangramento, na reposição volêmica e na identificação de vias aéreas difíceis.
• O que é essencial no Chile para atendimento a desastres

O terremoto de fevereiro de 2010 deu a possibilidade do Dr. LLarena identificar o que precisa ser feito essencialmente nos atendimentos a desastres.
Desse módulo é possível destacar que deve haver uma padronização na administração de desastres, deve-se minimizar a vulnerabilidade dos hospitais e do sistema de resgate, que a medicina pré-hospitalar é muito importante por prestar o primeiro atendimento ao paciente e para reduzir riscos de morte e de complicações médicas durante o atendimento já no hospital, e que a ajuda externa deve ser coordenada para que não prejudique as operações.
• Assessoria médica em esportes de alto risco
Palestrando sobre esportes de alto risco, esteve na Jornada de Trauma o Dr. Marcelo Teixeira, médico especializado em Resgate e Salvamento e Membro da Equipe de Resgate em eventos como o Rally Internacional dos Sertões, Claro Brasil Ride – Mundial de Mountain Bike, Fórmula 1 (Fast Intervention Car) GP Brasil e Fórmula Indy 2010 Etapa Brasil.

Os esportes conhecidos como off road têm como características principais: o risco potencial de lesões graves dos atletas, localizações remotas, logística complexa e rede hospitalar precária.
Mais uma vez, o planejamento deve ser extremamente detalhado, nesse caso, pelos tipos diferentes de categorias no esporte. Afinal, para cada um há um tipo de lesão específica, um mecanismo de segurança diferenciado, além do tipos de perfil de atletas diferentes. As características do local também devem estar inclusas no plano de ações, onde um tipo de atendimento nem sempre é o mais prático e eficaz para outro.
• Desafios no atendimento pré-hospitalar
O atendimento pré-hospitalar é cercado de desafios, tais como o atendimento a pacientes que sofrem queimaduras, as fraturas da pelve e até mesmo o transporte aeromédico. O Dr. Roberto Stefanelli, cirurgião plástico; Dr. Claus Zeefrid, ortopedista, traumatologista e diretor da Divisão de Pesquisa e Modernização do SAMU 192 São Paulo; e Dr. Marcelo Teixeira expuseram suas experiências com esses problemas falando das novidades que têm tornado esses desafios menos problemáticos na hora dos atendimentos.
• Perspectivas que fazem diferença no atendimento pré-hospitalar

O último módulo teve palestras do Dr. Eduardo Nogueira, falando sobre a fisiologia humana em ambientes extremos; Dr. SérgioTimerman, diretor da Divisão Clínica do Laboratório de Pesquisa, Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do Instituto do Coração (InCor), sobre compressão toráxica; Dr. Luiz Guilherme Villares, médico do GRAU, que descreveu novos dispositivos para uso no atendimento pré-hospitalar; e a Dra. Ana Cecília Moraes, psicóloga e membro do Médicos sem Fronteiras, que discorreu sobre a organização e as situações contingenciais após catástrofes e desastres.
Os desastres e catástrofes são imprevisíveis, mas ao final da Jornada de Trauma, ficou claro que com planejamento, ações rápidas e com o uso dos materiais que estão sendo cada vez mais aprimorados, os resultados no tratamento aos pacientes são muito melhores e as consequências podem ser menos drásticas.
Imagens cedidas pelos palestrantes.