
Apesar da alegria ser a marca registrada das propagandas de bebidas alcoólicas, o consumo exagerado de álcool tem um lado distante dessas imagens. Dentre as várias consequências negativas que aquelas “cervejinhas a mais” podem trazer, o trauma tem destaque considerável. O impacto disso para a saúde de nossa sociedade é enorme, o que explica a repercussão que a Lei Seca teve em sua fase inicial, quando a fiscalização ainda era bem rígida.
Entretanto, além das consequências no trânsito, o álcool pode estar envolvido também em outros tipos de acidentes. De acordo com o Dr. Renato Poggetti, cirurgião responsável pelo Centro de Referência de Trauma do Hospital 9 de Julho, “é frequente termos acidentes de trabalho por causa do álcool, principalmente no caso de profissionais que lidam com equipamentos de risco.” Já outra causa frequente de traumas relacionada ao abuso de álcool é aquela resultante da violência, que atinge tanto a pessoa que tomou “umas a mais” quanto a vítima, que teve o azar de estar na hora e lugar errado.
Além de servir como gatilho para essas situações de risco, o álcool compromete também o atendimento das vítimas. “Muitas vezes, o paciente embriagado apresenta uma agitação que pode dificultar a realização de determinados procedimentos, como a simples colocação de um cateter na veia, por exemplo”, comenta o Dr. Poggetti. No entanto, de acordo com o cirurgião, o principal fator que sofre interferência no atendimento é a avaliação clínica do paciente. “Há comprometimento na avaliação do estado neurológico do indivíduo, pois o álcool altera o nível de consciência e as respostas dele a estímulos. Fica difícil saber se o acidentado está inconsciente por causa do álcool ou por uma lesão cerebral. Ou os dois. Pois a embriaguez pode ser responsável por mascarar um problema mais grave.” O cirurgião salienta ainda que o álcool deve ser a última hipótese a ser considerada durante a investigação das causas para essas alterações orgânicas. “No caso de dúvida, o indivíduo deve ficar em observação até que o efeito do álcool desapareça”, esclareceu.
Estima-se que mais de 50% dos acidentes de trânsito estejam relacionados com o álcool e essa incidência é similar nas vítimas de outros tipos de traumas. “No começo da lei seca, houve queda nas ocorrências de traumas em todos os hospitais. E por isso, acredito que fiscalização não pode diminuir, caso contrário, voltaremos aos mesmos níveis de antes”, afirma o Dr. Poggetti.

O Hospital 9 de Julho orienta a comunidade a respeitar sempre as leis e apoia atitudes governamentais que visam proteger o cidadão, como nesse caso, combatendo o consumo excessivo ou irresponsável do álcool. Por isso, esse post inaugura a série Sua Saúde que visa informar a população para que cada um possa fazer a melhor escolha para o seu bem estar e o da sociedade.