
A gastrectomia vertical é uma técnica de cirurgia bariátrica e metabólica que provê melhores chances de recuperação, menores incisões, conforto para os pacientes e recuperação mais rápida relacionada à anestesia. Atualmente, é a técnica mais segura e com o índice de mortalidade mais próximo a zero entre cirurgias similares.
Este procedimento é irreversível e reduz em dois terços o tamanho do estômago. Apesar do fundo do estômago ser retirado, a técnica mantém todas as suas conexões nervosas originais. Segundo o cirurgião do aparelho digestivo do Hospital 9 de Julho, Dr. Almino Cardoso Ramos, apesar do caminho seguido pelos alimentos não ser alterado, o mecanismo de saciedade é otimizado, pois a cirurgia provoca alterações no sistema neuro-hormonal. “Sem o fundo do estômago, não há produção de grelina, o hormônio responsável pela fome. Dessa forma, o paciente sente-se mais saciado e altera o seu hábito alimentar, com o aumento do intervalo entre as refeições”, explica o médico.
Um dos benefícios dessa cirurgia é que não há desvio intestinal, impedindo falhas na absorção de alimentos. Assim, o paciente não precisa ingerir suplementos alimentares para o resto da vida, como ocorria com procedimentos mais antigos. “Não devemos aceitar os efeitos negativos da cirurgia bariátrica como se fossem normais”, afirma Dr. Almino. Outra vantagem desta técnica é um tempo menor de internação (cerca de dois dias), além de uma dieta sem tantas restrições.
Apesar de todos os benefícios, a cirurgia bariátrica não deve ser o primeiro tratamento da obesidade. “É importante que os pacientes saibam que a cirurgia é uma solução que vem depois de vários tratamentos para readequação do peso e que, para realizá-la, é preciso comprovar um histórico de pelo menos dois anos de obesidade mórbida”, esclarece o cirurgião.
Em 2009, foram realizadas 30 mil cirurgias bariátricas e metabólicas no Brasil. O Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos, que realiza, por ano, 300 mil procedimentos. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 3,5 milhões de pessoas está 40 quilos acima do peso corporal ideal, quadro conhecido como obesidade mórbida – esse quadro é de grande gravidade, uma vez que pessoas obesas perdem de 10 a 12 anos de vida devido ao excesso de peso.














