
Se essa pergunta fosse feita há 50 anos, a resposta seria sim, uma vez que os anticoncepcionais, naquela época, continham altas doses de hormônios sintéticos, como o estrogênio e o progestágeno, que afetam a libido. Mas, nos dias de hoje, ao contrário do que muitos desconfiam, o desinteresse sexual, também chamado de desejo sexual hipoativo, dificilmente é causado pelos métodos contraceptivos.
De acordo com uma matéria publicada na revista Gloss de março, a grande mudança aconteceu quando as pílulas deixaram de ter como efeito colateral a redução do nível de testosterona da mulher, hormônio responsável pelo apetite sexual. A testosterona é produzida nos ovários, e em quantidades pequenas pela glândula supra-renal, ambos controlados pela hipófise. As pílulas de hoje em dia atuam cortando o suprimento da hipófise, entretanto, sem afetar a carga produzida pela supra-renal, mantendo assim o desejo sexual.
Então, o que pode afetar a libido na mulher? O próprio emocional pode ser a origem do problema, se ela passou por muito estresse no trabalho ou está com problemas financeiros. Todos esses fatores podem colaborar para a queda da libido. Assim como os efeitos colaterais de remédios antidepressivos, por exemplo, podem comprometer o apetite sexual.
Além da testosterona, outros hormônios, como a prolactina e os T3 e T4, produzidos pela tireóide podem influenciar a libido. Segundo a Dra. Roberta Villas Boas, endocrinologista do Hospital 9 de Julho, se a tireóide, glândula localizada no pescoço, não funcionar direito, muitas funções do organismo podem ser danificadas.
Algumas pessoas são geneticamente predispostas a terem problemas com a tireóide, em especial, o hipotireoidismo, doença autoimune em que o organismo produz anticorpos que “atacam” o T3 e T4. As principais conseqüências são:
- Depressão
- Sonolência
- Falta de concentração
- Ganho de peso
- Mudanças no ciclo menstrual
- Infertilidade
- Desinteresse sexual
Para descobrir se a causa do seu desinteresse sexual está nos níveis alterados dos hormônios citados acima, é preciso fazer um exame de sangue, que medirá o nível de TSH, um hormônio secretado pela hipófise e responsável por estimular a tireóide a produzir T3 e T4. Se a quantidade de TSH estiver alta no organismo da mulher, é provável que a tireóide esteja com problemas. O tratamento é feito a base de comprimidos que contem T3 e T4, prescritos por seu médico. Por isso, faça exames periódicos se perceber os sintomas e não deixe de consultar seu médico.