Escrito em 10 de ago de 2010

Cateterismo Cardíaco

Categorias: Cardiologia    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

Para distribuir os cinco a sete litros de sangue rico em oxigênio e nutrientes para os trilhões de células de nosso corpo, contamos com mais de 100 mil quilômetros de uma rede de vasos sanguíneos formada por nossas veias e artérias. Nosso coração faz os cinco litros de sangue circularem a cada minuto por nosso corpo, e os vasos que conduzem esse volume sanguíneo estão sujeitos a várias doenças em sua estrutura (paredes) que podem ocasionar obstrução parcial ou total dos mesmos. Isso pode levar a uma redução do fluxo de sangue na área afetada, alterando a nutrição das células locais e a função dos tecidos e órgãos – processo a que se dá o nome de isquemia.

Assim como temos exames para cada um dos órgãos, nosso sistema cardiocirculatório também pode ser inspecionado de perto. É para isso que temos o cateterismo cardíaco, um método de diagnóstico utilizado para a investigação de problemas no coração e nos vasos sanguíneos (artéria aorta, artérias coronárias, artéria pulmonar e outros). O exame consiste em introduzir tubos finos e flexíveis chamados cateteres, através de uma artéria e/ou veia, chegando ao coração com a ajuda de uma máquina especial de Raios X. Estes cateteres são utilizados para medir pressões, retirar amostras de sangue para exames laboratoriais, além de injetar solução de contraste para radiografar e filmar o coração e vasos sanguíneos. Como explica o Dr. Bruno Laurenti Janella, cardiologista intervencionista do Hospital 9 de Julho:  “Introduzimos o cateter geralmente em uma artéria na região da virilha, com o paciente deitado. É quase um caminho reto para o coração”, referindo-se à região do corpo mais comumente examinada no cateterismo.

Chegando ao ponto desejado, o médico injeta um composto de iodo (contraste) para obter as imagens. “Os vasos sanguíneos não absorvem raio-x, são transparentes em uma radiografia normal. Por isso, precisamos utilizar o contraste, uma substância que facilita a marcação dos vasos”, explica Dr. Laurenti. Com o uso do contraste, os vasos sanguíneos tornam-se visíveis em um exame de raio-x, como podemos ver no vídeo abaixo:

Apesar de ser um exame invasivo, o cateterismo costuma ser realizado com o paciente consciente, apenas com anestesia local. O exame é indolor e pode aparecer alguma sensação de calor ocasionada pelo material de contraste injetado.

Além do caráter diagnóstico, o cateterismo propicia também a possibilidade da realização de uma angioplastia, que é um procedimento terapêutico não-cirúrgico de desobstrução de uma artéria com entupimento. A angioplastia pode ser realizada junto com o cateterismo, quando uma obstrução grave em uma artéria coronária é identificada, ou pode ser agendada para um outro dia, após o cateterismo ter confirmado a presença de doença arterial coronariana.

A angioplastia é realizada inflando-se um minúsculo balão no vaso afetado. Quando o balão é inflado, comprime a placa de gordura contra a parede do vaso e assim aumenta seu diâmetro, melhorando a passagem do sangue. Na maioria dos casos, a angioplastia é feita com o implante de stent, um pequeno tubo metálico que se expande junto com o balão e mantém as paredes do vaso abertas, como o vídeo abaixo demonstra.

Hoje em dia, com a modernização do material utilizado na sala de cateterismo, o exame tornou-se bastante seguro. Apesar disso, como todo procedimento médico invasivo, ele apresenta risco de complicações que, apesar de raras, não devem ser ignoradas. Esse riscos são avaliados pelo seu médico quando ele indica a realização do cateterismo. Quanto mais grave a doença, maiores os riscos do exame. Entretanto, é importante destacar que a indicação do exame se dá apenas quando o benefício advindo dele suplanta os riscos.

Como qualquer forma de intervenção médica, o cateterismo cardíaco e a angioplastia têm sempre como objetivo ajudá-lo a melhorar sua qualidade de vida e sua longevidade. Cuidar do coração e de sua saúde é também uma responsabilidade sua.

 
Escrito em 05 de ago de 2010

Diabetes e açúcar

Categorias: Diabetes    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

Chocolates, bolos, doces. Para muita gente, a vida sem a ingestão de açúcar pode ser um pesadelo. No caso de quem tem predisposição genética ao diabetes e precisa moderar o consumo desses alimentos, isso ganha contornos dramáticos. Afinal, comidas simples como arroz, pães e massas também são ricas em carboidratos, ou seja, transformam-se em açúcar no sangue e podem causar sérios danos.

Esse cuidado, porém, não precisa ser tão pesaroso. É possível consumir açúcar e carboidratos, tanto para o diabético quanto para quem está de dieta. Basta que isso seja feito na medida certa, com moderação.

Quem afirma isso é a Dra. Roberta Villas Boas, endocrinologista do Hospital 9 de Julho. “Não é só o açúcar que desencadeia o diabetes em pessoas com predisposição genética, mas também a obesidade e o consumo exagerado de carboidratos simples (como pães, arroz e batatas), que são convertidos em glicose“. O vilão, portanto, é o exagero. Carboidratos simples são absorvidos rapidamente pelo organismo, elevando os níveis de glicose no sangue, que se traduzem em um quadro de hiperglicemia. A saída é consumir açúcar e carboidratos em porções controladas.

As associações norte-americana e europeia de diabetes recomendam que a ingestão de carboidratos seja de, no máximo, 10% do valor energético total consumido. Considerando uma dieta diária de 2 mil calorias, o ideal é ingerir no máximo três colheres de sopa por dia. Isso equivale a 60g por refeição, ou duas colheres de sopa de arroz e uma porção de batata frita, aproximadamente.

É importante destacar que essa recomendação só é válida para quem segue corretamente o tratamento da doença. O Hospital 9 de Julho conta com uma experiente equipe de endocrinologistas e nutricionistas. Portanto, para qualquer dúvida, consulte-os. E não deixe de seguir sempre a recomendação de seu médico.

 
Escrito em 03 de ago de 2010

Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho

Categorias: Institucional    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

No dia 27 de julho é comemorado o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho. A data foi criada em 1972, quando o então ministro do trabalho, Júlio Barata, regulamentou a formação técnica em Segurança e Medicina do Trabalho e tornou obrigatório o serviço em empresas com mais de 100 funcionários.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), os acidentes de trabalho são a causa da morte de mais de 2 milhões de pessoas no mundo por ano. Isso significa que a falta de segurança no trabalho mata mais do que as drogas e o álcool juntos. As causas de um acidente podem ser naturais ou por falta de medidas de proteção.

Os setores que apresentam menores condições de segurança em todo o mundo são: a agricultura, a construção civil e a mineração. Atualmente, no Brasil, existe outra categoria que vem sofrendo um aumento alarmante no número de acidentes: os motoqueiros. O serviço de entrega de documentos e encomendas com motos une vários fatores de risco: violência das ruas, roubos seguidos de mortes (latrocínios) e acidentes de trânsito, entre outros.

Os acidentes de trabalho mais comuns são as quedas, que muitas vezes poderiam ser evitadas, caso os dispositivos de seguranças fossem utilizados ou usados de forma adequada. Outros fatores que também podem contribuir para o surgimento de acidentes de trabalho são:

  • A ingestão de bebidas alcoólicas;
  • As hipoglicemias, que podem provocar lipotimias (desmaios) por falta de alimentação;
  • A fadiga, por não se ter dormido o suficiente ou quando se trabalha por turnos, em especial se o trabalho incluir lidar com máquinas perigosas.

Além disso, há as doenças ocupacionais, que no Brasil é equiparada ao acidente de trabalho, gerando os mesmos direitos e benefícios. Podem ou não ser causadas pela atividade laboral ou ambiente de trabalho, as mais comuns são doenças respiratórias e de pele.

Segundo Eduardo Bottentuit, Engenheiro de Segurança do Trabalho do Hospital 9 de Julho, “a maioria dos acidentes poderia ser evitada se os empregadores promovessem sempre o treinamento, além de efetuar a correção das condições inseguras, como manutenção periódica dos equipamentos, higiene e limpeza dos locais de trabalho, controle dos agentes físicos e químicos, as adequações ergonômicas dos postos de trabalho e melhoria do ambiente de trabalho em geral”.

Existem muitas maneiras de você evitar acidentes no seu local de trabalho:

  • Ter o máximo de atenção ao realizar as tarefas
  • Comunicar sempre qualquer irregularidade no ambiente de trabalho
  • Fazer os exames de saúde periódicos

Não importa a atividade que você exerça, a melhor forma de evitar acidentes é a conscientização. Portanto, não deixe de conhecer e, principalmente, fazer uso de todas as medidas de segurança. São elas que garantem a sua segurança e das demais pessoas que trabalham com você.

 
Escrito em 30 de jul de 2010

Você sabe o que é o colesterol?

Categorias: Cardiologia    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

Na ocasião do Dia do Controle do Colesterol, que é comemorado 29 de julho, trazemos alguns dos especialistas em cardiologia do Hospital 9 de Julho para esclarecer dúvidas a respeito do tema.

O colesterol é um componente natural de gordura, que circula na corrente sanguínea. Além de poder ser absorvido de alimentos, também é produzido pelo próprio fígado. Dentro de valores aceitáveis, não traz qualquer problema à saúde. Porém, quando em excesso, o colesterol é um dos responsáveis pela formação das placas de ateroesclerose que, em última instância, podem causar o chamado “entupimento de artérias”. Isso pode acontecer não só no coração, mas em qualquer órgão. As consequências mais comuns são a isquemia cardíaca (infarto), cerebral (derrame), no rim ou na perna (trombose).

“É importante dizer que esse é um efeito de longo prazo”, explica o Dr. Irapuan Magalhães, cardiologista do Hospital 9 de Julho. “Não é porque alguém foi diagnosticado com colesterol alto que vai sofrer um infarto”. Primeiramente, é necessário identificar a razão de uma taxa elevada de colesterol no organismo. Isso pode ocorrer tanto por um aumento na ingestão de alimentos gordurosos, quanto por uma característica própria do indivíduo.

Por esse motivo, são aconselháveis exames periódicos para medição da pressão arterial, dos níveis de açúcar e do colesterol no sangue. “A frequência desses exames varia de acordo com a faixa etária”, informa o Dr. Irapuan. “Hoje em dia, aconselha-se que jovens próximos da idade adulta, a partir dos 20 anos de idade, façam um checkup de cinco em cinco anos. Existem pacientes que apresentam sinais de colesterol alto já nessa idade, devido a um fator hereditário“. Para pessoas obesas, que tenham doenças coronárias precoces, ou com complicações cardíacas no histórico familiar, o exame deve ser realizado pelo menos anualmente.

Os cuidados principais para evitar complicações dessa natureza são: manter uma dieta saudável e praticar atividade física. Exercícios aeróbicos queimam gordura e, portanto, retiram o colesterol da circulação sanguínea. “Porém, pessoas magras e atléticas, que não comem alimentos ricos em colesterol, também estão sujeitas a terem problemas”, acrescenta o Dr. Marcelo Paiva, também cardiologista do Hospital 9 de Julho. “Tudo depende das características pessoais de cada um”.

Hoje em dia, existem vários tipos de medicamentos específicos para baixar o nível de colesterol no sangue, cada um com sua particularidade. Os mais comumente prescritos são as estatinas, que vêm ganhando destaque na mídia. “São remédios que, quando bem empregados, reduzem de forma significativa os riscos de infarto, angina, cateterismo, cirurgia e, até mesmo, uma complicação cardíaca fatal”, esclarece o Dr. Marcelo Paiva. O acompanhamento médico, porém, é indispensável. “As estatinas podem ser substâncias tóxicas”, alerta o Dr. Irapuan Magalhães. “A avaliação médica é importante para verificar qual o melhor composto, bem como a dosagem mais adequada para cada caso”.

 
Escrito em 28 de jul de 2010

Jornada Interdisciplinar: Traqueostomias

Categorias: Falando em Saúde    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

Cercada de mitos e tida por muitos como uma solução “terminal” para problemas clínicos de ordem respiratória, a traqueostomia é um procedimento cirúrgico bastante comum e freqüentemente realizado em hospitais de grande porte, especialmente nas UTIs.

A traqueostomia está indicada, dentre outros, nos pacientes com insuficiência respiratória, aqueles “respirando através de aparelhos”. É a situação em que o doente está entubado e conectado a estes aparelhos, sendo que a traqueostomia substitui o tubo da boca, criando um “atalho” no pescoço para o acesso às vias aéreas.  Possibilita, assim, a necessária ajuda para a passagem de ar para os pulmões e a retirada de secreção dos brônquios, sem contudo exigir do paciente que agüente o desconforto provocado pelo tubo na boca. Dr. Ricardo Bammann, cirurgião torácico, esclarece que no Hospital 9 de Julho são realizadas em média duas ou três traqueostomias por semana, num trabalho em equipe que também envolve os médicos intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas e fonoaudiólogos.

Longe de ser um procedimento “terminal”, a traqueostomia não deixa de ser uma operação indicada em pacientes graves, tais como as vítimas de trauma, sequelados de AVC (“derrame cerebral”), doentes com DPOC e infecção secundária etc. Acontece que sua indicação não apenas promove maior conforto para o paciente, como também facilita a sua recuperação, sendo em muitos casos a melhor alternativa para garantir uma “independência” progressiva e rápida dos aparelhos (tecnicamente conhecida como “desmame do ventilador”).

“À medida que o paciente vai melhorando, é comum ele ficar agitado, o que dificulta que ele volte a assumir o controle de sua respiração” explica o Dr. Bammann. É quando o apoio da equipe de fisioterapia passa a ser mais do que essencial, pois são esses os profissionais que acompanham e conduzem o “desmame”. “A traqueostomia aumenta a possibilidade de se regular os aparelhos de tal maneira a diminuir gradativamente a sua interferência na respiração e, assim, o paciente ganha mais confiança e autonomia para voltar a respirar”, afirma Ângela Leite, fisioterapeuta do H9J.

Por outro lado, apesar de geralmente não ser definitiva, ao desviar a passagem do ar para o orifício e a sonda que ficam no pescoço, a traqueostomia traz conseqüências para a fala e para a deglutição. É por isso que o atendimento especializado ao doente traqueostomizado também implica no acompanhamento de profissionais responsáveis por avaliar e “treinar” o doente “para que ele volte a respirar pela boca e pelo nariz, a falar, mastigar e engolir, à medida que vai melhorando clinicamente”, explica Laís Taquemori, fonoaudióloga.

Como deu para perceber, a chave para o sucesso no cuidado com o paciente traqueostomizado é o envolvimento de vários profissionais, através da interdisciplinaridade. Ela acontece em todos os estágios do processo, desde a indicação e a execução do procedimento cirúrgico (no H9J, a traqueostomia habitualmente é feita na própria UTI, diminuindo os riscos do transporte intra-hospitalar dos doentes para o Centro Cirúrgico) até o desmame do ventilador e a efetiva decanulação, (a retirada do tubo de traqueostomia e a volta à “normalidade” de antes).

É neste contexto que desponta o GruPAC (Grupo de Aprimoramento e Capacitação) Pneumo&Tórax, formado por especialistas da área e responsável pela promoção, no próximo dia 31 de julho, da Jornada Interdisciplinar: Traqueostomias. Além de abordar a indicação e as técnicas cirúrgicas desta operação, a Jornada dedicará boa parte de sua programação para discutir os cuidados com o paciente traqueostomizado, incluindo os processos de desmame e de decanulação, dentre outros temas. Já os workshops, marca registrada deste tipo de evento organizado pelo PAC9 (Programa de Aprimoramento e Capacitação do H9J), funcionarão como pequenas oficinas práticas e interativas sobre “Tipos de cânulas de traqueostomia”, “Abordagem fonoterápica” e “Discussão de casos clínicos”. Consulte a programação completa do evento!

Os profissionais de saúde interessados em participar da Jornada Interdisciplinar: Traqueostomias deverão fazer sua inscrição antecipadamente, pelo telefone (11) 3147-9644. Mas fique atento, pois as vagas são limitadas.