
O Dr. Araripe Varella, cirurgião do Aparelho Digestivo, do Hospital 9 de Julho, em princípio, segue o padrão dos médicos. Rigoroso com sua agenda, atento aos seus plantões, objetivo. No entanto, o motivo da entrevista [e desse post] é justamente o fato do Dr. Araripe ser um pouco diferente do tipo de cirurgião que conhecemos. Durante os finais de semana que tem folga, ele deixa a rotina da cidade de São Paulo e a concentração das mesas de cirurgias para se dedicar a outra aventura: trilhas e jipe. Sua paixão começou aos poucos, quando decidiu comprar um jipe em parceria com um amigo.
Dr. Araripe tentava chegar à praia de Castelhanos, na Ilha Bela, e descobriu que um utilitário popular não era o suficiente para a trilha. Ele já tinha ouvido falar do lugar e de como o caminho podia ser um passeio à parte, para quem conseguisse chegar. Considerou o jipe em sociedade, mas Antônio Ferme, amigo e primo da esposa do cirurgião, preferiu algo mais próximo de um SUV. O médico comprou um utilitário mais esporte e trilhas mais tranquilas eram a maioria dos destinos.
No entanto, os carros ficaram castigados demais e então, decidiram comprar um Willys, ano 82. O carro foi ideal para o tipo de trilhas que passaram a fazer, mais agressivas. As aventuras foram crescendo e Dr. Araripe vendeu sua parte do Willys 82 para o amigo e comprou um Bandeirante. A essa altura, o sogro também havia tomado gosto pelas aventuras! Além das novas possibilidades de trilhas, o jipe aproximou mais ainda o médico de seu sogro. “Nas nossas últimas viagens, minha esposa acabou indo no nosso carro do dia a dia e fomos eu e meu sogro no jipe, conversando sobre carros, claro, mas também sobre outras coisas de nossas vidas”.
Assim, Dr. Araripe em pouco tempo, passou a fazer caminhos alternativos, combinados a um bom destino, como ir a São Sebastião pela estrada da Petrobrás, sem usar a Tamoios. “Já fiz algumas boas viagem de jipe. A última foi ir a Trancoso, na Bahia, pois assim poderíamos passear na praia também”, contou o médico.
É em busca de ‘problemas’ e dificuldades que o cirurgião usa seu tempo livre. “Estávamos na trilha de Campos do Jordão, havia chovido muito. No meio do caminho passamos por um lugar alagado. O Willys do meu amigo passou, já que estava com um pneu 70% terra, 30% asfalto. O meu ficou no meio do alagamento e entrou água no jipe até a altura do banco. Ficamos três horas esperando alguma ajuda, já que não conseguíamos puxar meu carro, devido à quantidade de lama no terreno. Uma Land Rover passou por nós e ofereceu ajuda. Ela enganchou no Willys do Antônio, que enganchou no meu Bandeirante e só assim conseguimos tirar o carro.”
Ele garante que apesar do contratempo, é isso que faz a aventura. Algo muito diferente ao seu dia a dia, mas que guarda algumas semelhanças entre as duas atividades.
“Para realizar uma cirurgia é necessário a presença de uma equipe qualificada, material adequado, local apropriado e técnica apurada. Se faltar alguma dessas quatro coisas, corremos um risco muito grande para realizar o procedimento. Para percorrer uma trilha, não é muito diferente. Sempre, sempre, é indispensável a presença de mais um jipe com você, com equipe qualificada, caso ocorra algum imprevisto muito sério. Não pode faltar também o equipamento adequado: guincho, pneu estepe, macaco, entre outros. O local é a própria trilha, com suas imprevisibilidades inerentes! A técnica é, também, parte fundamental. Por exemplo, se você está subindo uma rampa e as quatro rodas deslizam, o que você faz pra descer? Se frear, o carro descerá sem controle. Por isso, é necessário engatar a marcha ré, para dar tração e não perder o controle do jipe”.
Por isso, o zelo do cirurgião permite que os pequenos problemas continuem pequenos e acabem complementando as trilhas, sem deixá-lo na mão. “Sempre quebra alguma coisa. Uma vez foi o banco do passageiro, outra o limpador de parabrisa e na outra caiu um farol… Mas nunca voltei para casa guinchado ou tive de ficar esperando mecânico”, diz o médico.















[...] This post was mentioned on Twitter by Jugaspardo, Hospital 9 de Julho. Hospital 9 de Julho said: Em mais um post da série Quem faz o H9J, dessa vez mostramos o Dr. Araripe e seu gosto por trilhas e aventuras: http://bit.ly/cOOouw [...]
“A última foi ir a Trancoso, na Bahia, pois assim poderíamos passear na praia também”, contou o médico”.
Acho isso difficil a acreditar… não pode andar na praia de carro em Trancoso!
Muito legal essa matéria…principalmente porque fala que ele começou em ilhabela! eu sou de lá, nasci lá.
fui para castelhanos algumas vezes e já passei por muita coisa lá. Principalmente quando chove, nem jipe consegue subir a curva na volta. Da última vez ficamos presos na estrada junto com mais 4 jipes de passeio, e a lama estava até o joelho.
Beijos
Fiquei muito feliz em ler este “post”, afinal de contas sou paciente do Dr.Araripe e o admiro muito. Que bom que ele tem momentos divertidos com este gipe, aventureiro hein! Quem diria doutor! Que tal contar mais sobre outras trilhas? Mais uma que acabo de aprender com meu médico, nesta vida é muito importante um momento de lazer ou “aventura, como ele gosta”, só assim para mandar o stress embora e deixar a gastrite de lado não é mesmo doutor? Parabéns! Valeu!