
Em pouco mais de vinte anos percorrendo o mundo atrás de trilhas, paisagens, caminhos e montanhas, o Dr. Renato Poggetti, de 56 anos, cirurgião responsável pelo Centro de Referência de Trauma do Hospital 9 de Julho, já passou pelos povoados gélidos da Patagônia, encarou o solo árido do Grand Canyon americano, refez a trilha inca que leva à Machu Picchu no Peru, subiu o Monte Kilimanjaro, no ponto mais alto da África, e chegou até o acampamento base do Everest, na fronteira do Nepal com a China.
“Você aprende a conhecer seus limites e atingir objetivos”, diz ele. “É como na vida, em que você traça uma meta, enfrenta os obstáculos, se prepara para encarar os problemas. Na caminhada, é a mesma coisa, sem contar que você conhece o mundo, descobre tudo o que tem por aí e aprende a conviver melhor com todos os tipos de pessoas”, conta o médico. Em suas aventuras, programadas com pelo menos um ano de antecedência, ele tem sempre como companhia a mulher e, às vezes, a filha.
A paixão pelas caminhadas de aventura, que podem durar de uma a duas semanas fazendo paradas em acampamentos e abrigos, combina com a dedicação a uma rotina profissional dinâmica, coordenando um serviço de emergência que atende vítimas de atropelamento, violências e acidentes de todo tipo. “O preparo físico que a caminhada exige me ajuda a exercer melhor a minha profissão, ajuda a operar por horas em situações de bastante estresse”, diz.
Sem contar que, durante algumas viagens, a experiência médica ajudou a salvar vida de outras pessoas. “Na trilha inca, por exemplo, ajudei a atender um rapaz de 16 anos que sofreu uma queda grave e teve fratura nos braços e trauma nas costas”, conta Dr. Poggetti, que sempre leva equipamento médico de emergência na bagagem. “Conseguimos socorrê-lo e ele foi levado de maca até Machu Picchu, onde um helicóptero foi buscá-lo.” Durante a escalada ao Kilimanjaro, de acordo com ele a segunda mais desafiante que fez até hoje (seguida do Everest), também prestou os primeiros socorros a um homem que havia quebrado a bacia.
“Tem coisas na vida que devem ser feitas em determinadas épocas. Por isso, o importante é aproveitarmos o tempo que temos. O equilíbrio é tudo na vida, e o que busco é um equilíbrio entre trabalho e lazer”, resume ele. Dr. Renato Poggetti não pretende parar. Para 2010, já planeja uma de suas maiores aventuras: subir o Monte Aconcágua, com 7 mil metros de altitude – o ponto mais alto das Américas, localizado nos Andes argentinos. “Não podemos deixar a vida passar muito rápido.”














