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Escrito em 14 de dez de 2009

O que acontece com o seu cérebro quando você bebe demais?

Categorias: Dor e Neurocirurgia Funcional, Sua Saúde    Autor: Átila Iamarino   
 
cérebro

Alguns copos a mais e você sente dificuldade para falar com desenvoltura, falta de coordenação e equilíbrio, e para piorar, sua capacidade de julgamento já não é tão confiável, e é por isso mesmo que você insiste ainda em afirmar: estou completamente sóbrio.

Todas essas consequências são reflexos da ação do álcool em um mesmo lugar, nosso sistema nervoso, que reage das mais surpreendentes formas quanto exageramos no consumo de bebidas alcoólicas.

O etanol, principal tipo de álcool contido nas bebidas, é uma molécula pequena e bem solúvel em água, de forma que é facilmente carregado pelo sangue para todo o corpo. Mas o seu efeito no sistema nervoso central (SNC) é um dos mais importantes. Ele interage com moléculas chamadas neurotransmissores que fazem a comunicação entre as células. Entre outras coisas, o álcool inibe a atividade do cérebro, proporcionando a maioria das mudanças de comportamento que conhecemos.

Segundo o Dr. Antônio Cezar Galvão, neurologista do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, a bebida alcoólica pode provocar diversos efeitos além da euforia, prazer e excitação. “Os efeitos do álcool no cérebro, levam a efeitos psíquicos como redução da concentração e atenção, redução da memória recente e do julgamento”. E é por isso que depois da farra você pode até se esforçar, mas muitas vezes não se lembra da noite anterior.

Os efeitos do álcool atingem inclusive a região responsável pelo controle dos movimentos e equilíbrio, o que justifica o trançar de pernas e a fala arrastada de quem exagerou na bebida.

Essas consequências que aparecem com as doses a mais possuem denominações científicas, e o Dr. Antônio Cezar Galvão traduziu essa linguagem para que possamos ficar ciente do que acontece no nosso sistema nervoso quando passamos dos limites. “No cerebelo e no sistema vestibular, o álcool provoca a disartria que são os problemas na articulação de palavras que levam àquela fala enrolada. Já ataxia é o nome dado para a perda da coordenação dos movimentos. E existem ainda os problemas da visão dupla e do nistagmo, que são oscilações involuntárias dos olhos”.

Em níveis mais altos de álcool no sangue, a cognição e a coordenação motora são tão afetadas que multiplicam os riscos de dirigir veículos, exemplifica o médico.

Mas por que você não se lembra do que fez na noite anterior? Por muitos anos pensava-se que o consumo excessivo de álcool acarretava em formas de esquecimento, como os blackouts temporários. Mas um estudo de 2008 realizado por Cientistas da Universidade de Sussex, na Inglaterra, provou que o álcool, na verdade, altera os neurotransmissores prejudicando a formação da memória e não seu esquecimento.

De forma geral, eles concluíram que o cérebro além de não registrar claramente os fatos, ainda colaborava para uma espécie de memória seletiva. Dessa forma, a pessoa se lembra bem de eventos positivos que ocorreram antes da intoxicação (consumo excessivo do álcool), mas não consegue se recordar de eventos negativos pós-intoxicação.

A psicóloga Dora Duka, que liderou esse estudo, acredita que esse fenômeno pode levar as pessoas a acreditar mais nos efeitos positivos do álcool em vez de perceber seus efeitos negativos, contribuindo até para o desenvolvimento de um possível alcoolismo.

A partir de agora então você já sabe. Se beber além da conta, tome cuidado, pois você pode não estar no controle dos seus próprios atos e provavelmente ainda terá que lidar com a ressaca do dia seguinte. Busque se divertir com moderação.

O que acontece com o seu cérebro quando você bebe demais

O Hospital 9 de Julho orienta a comunidade a respeitar sempre as leis e apoia atitudes governamentais que visam proteger o cidadão, como nesse caso, combatendo o consumo excessivo ou irresponsável do álcool. Por isso, esse post integra a série Sua Saúde que visa informar a população para que cada um possa fazer a melhor escolha para o seu bem estar e o da sociedade.

 
Escrito em 08 de out de 2009

Lei Seca, álcool e traumas

Categorias: Sua Saúde, Trauma    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

Lei Seca, Álcool e Traumas

Apesar da alegria ser a marca registrada das propagandas de bebidas alcoólicas, o consumo exagerado de álcool tem um lado distante dessas imagens. Dentre as várias consequências negativas que aquelas “cervejinhas a mais” podem trazer, o trauma tem destaque considerável. O impacto disso para a saúde de nossa sociedade é enorme, o que explica a repercussão que a Lei Seca teve em sua fase inicial, quando a fiscalização ainda era bem rígida.

Entretanto, além das consequências no trânsito, o álcool pode estar envolvido também em outros tipos de acidentes. De acordo com o Dr. Renato Poggetti, cirurgião responsável pelo Centro de Referência de Trauma do Hospital 9 de Julho, “é frequente termos acidentes de trabalho por causa do álcool, principalmente no caso de profissionais que lidam com equipamentos de risco.” Já outra causa frequente de traumas relacionada ao abuso de álcool é aquela resultante da violência, que atinge tanto a pessoa que tomou “umas a mais” quanto a vítima, que teve o azar de estar na hora e lugar errado.

Além de servir como gatilho para essas situações de risco, o álcool compromete também o atendimento das vítimas. “Muitas vezes, o paciente embriagado apresenta uma agitação que pode dificultar a realização de determinados procedimentos, como a simples colocação de um cateter na veia, por exemplo”, comenta o Dr. Poggetti. No entanto, de acordo com o cirurgião, o principal fator que sofre interferência no atendimento é a avaliação clínica do paciente. “Há comprometimento na avaliação do estado neurológico do indivíduo, pois o álcool altera o nível de consciência e as respostas dele a estímulos. Fica difícil saber se o acidentado está inconsciente por causa do álcool ou por uma lesão cerebral. Ou os dois. Pois a embriaguez pode ser responsável por mascarar um problema mais grave.” O cirurgião salienta ainda que o álcool deve ser a última hipótese a ser considerada durante a investigação das causas para essas alterações orgânicas. “No caso de dúvida, o indivíduo deve ficar em observação até que o efeito do álcool desapareça”, esclareceu.

Estima-se que mais de 50% dos acidentes de trânsito estejam relacionados com o álcool e essa incidência é similar nas vítimas de outros tipos de traumas. “No começo da lei seca, houve queda nas ocorrências de traumas em todos os hospitais. E por isso, acredito que fiscalização não pode diminuir, caso contrário, voltaremos aos mesmos níveis de antes”, afirma o Dr. Poggetti.

Lei Seca, álcool e traumas

O Hospital 9 de Julho orienta a comunidade a respeitar sempre as leis e apoia atitudes governamentais que visam proteger o cidadão, como nesse caso, combatendo o consumo excessivo ou irresponsável do álcool. Por isso, esse post inaugura a série Sua Saúde que visa informar a população para que cada um possa fazer a melhor escolha para o seu bem estar e o da sociedade.