
No mês de março, nós convidamos os leitores do blog para participar da reunião científica sobre “A mulher atleta“, mas se você não pôde comparecer, aproveite para acompanhar essa série de três posts sobre o assunto, que se inicia agora com o tema “A tríade da mulher atleta”.
O Dr. Ricardo Nahas, médico do esporte e ortopedista do H9J, explica que a tríade da mulher atleta é composta por três problemas de saúde que tendem a ocorrer juntos: distúrbios alimentares, amenorréia (irregularidade ou ausência total de menstruação) e osteoporose (problemas ósseos).
Essa tríade ocorre quando o praticante de atividade física regular, atleta ou não, tem um balanço energético negativo, ou seja, consome menos nutrientes do que o corpo precisa para a prática do esporte. “A maioria desconhece que a dieta é inadequada”, explicou o médico, já que os transtornos alimentares que compõe a tríade podem ou não ser voluntários.
“Outras vezes, os problemas alimentares podem ser consequência de pressões para perder peso”, completou sobre as situações onde a magreza pode beneficiar a atleta. Nesses casos, em esportes como ginástica e maratona, atletas sofrem constante pressão para manter o peso baixo, o que pode ocasionar os distúrbios. Dependendo do esporte praticado, a porcentagem de atletas que apresentam distúrbios alimentares é de 15% a 62%. Já entre as mulheres da população em geral, o índice é de 5%.
A amenorréia, disfunção na menstruação, pode ocorrer como uma das conseqüências deste desbalanço energético e do esforço exigido, como aponta o Dr. Nahas. “Na falta de nutrientes para produzir energia, uma das primeiras funções que o corpo desliga é a reprodutora, desregulando a produção hormonal da mulher. Com isso, ela passa a ter problemas para menstruar.”
O problema aqui é que muitas vezes a atleta pode não entender a amenorréia como um problema. “Algumas atletas acham que, por não menstruar mais, estão livres para competir mais confortavelmente.” Essa percepção pode fazer com que a atleta não busque ajuda médica e o problema se agrave.
O desbalanço hormonal e os distúrbios alimentares colaboram para o surgimento de mais uma conseqüência, a osteoporose, estágio avançado e potencialmente irreversível da tríade. Na osteoporose, os ossos perdem massa e tornam-se mais finos e quebradiços e, como atletas submetem seus ossos a mais estresse, as fraturas acabam por tornar-se frequentes. Segundo Dr. Nahas, não é raro a atleta ter uma lesão neste estágio, sem que saiba que desenvolveu a tríade.
De acordo com o especialista, a melhor maneira de prevenir essa condição é informação e monitoração. “A “tríade da mulher atleta” é cada vez mais comum com o aumento do número de esportistas e da pressão por desempenho. A atleta precisa saber alimentar-se corretamente e ter conhecimento de que a menstruação irregular é sinal de problemas na saúde, pois quando ocorre uma fratura óssea já pode ser tarde demais e a recuperação pode exigir o afastamento dos exercícios por meses, ou até anos.
Se você quiser saber ainda mais, disponibilizamos aqui no blog, a apresentação sobre medicina do esporte voltados para a mulher atleta.














