Posts com a tag ‘doença crônica’

Escrito em 08 de jul de 2010

Fumo e diabetes não combinam

Categorias: Diabetes, Sua Saúde    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

fumo

Convidamos a Dra. Roberta Frota Villas Boas, endocrinologista do Hospital 9 de Julho, para participar da nossa série de posts sobre o uso do tabaco e sua relação com a saúde. Confira o material que a Dra. Roberta preparou para alertar os diabéticos sobre as complicações que podem ser agravadas pelo tabagismo.

Abandonar o hábito de fumar faz bem a qualquer pessoa, uma vez que o fumo:

  • Reduz a quantidade de oxigênio em todos os tecidos, o que contribui para a ocorrência de ataques cardíacos e derrames cerebrais
  • Aumenta os níveis de colesterol e de gordura no sangue, o que aumenta o risco de ataque cardíaco
  • Danifica os vasos sangüíneos
  • Aumenta os riscos de câncer de boca, pulmões, garganta e bexiga
  • Danifica os nervos: a diminuição de oxigênio provocada pelo tabaco, lesa as estruturas nervosas, causando inchaço, possível dor e infecção nas extremidades
  • Propicia o aparecimento de cáries e afeta as gengivas, o que, associado com níveis elevados de glicose no sangue, costuma provocar complicações dentais

Para os diabéticos, os malefícios são ainda maiores, pois, assim como para qualquer pessoa vitima de doenças crônicas, o tabagismo agrava ainda mais os problemas de saúde que o paciente possui.

O fumo estimula a produção de hormônios que causam a redução dos vasos sanguíneos que, por sua vez aumentam a pressão arterial, sobrecarregando o coração, facilitando assim o surgimento de lesões coronárias e cerebrais, retinopatia (complicação crônica do diabetes que afeta os vasos da retina, com sangramentos, descolamento de retina e em graus mais graves, cegueira), nefropatia (acometimento dos rins pelo diabetes, levando a perda de proteína pela urina, com conseqüente inchaço e insuficiência renal com necessidade de diálise e transplante) e, principalmente, doenças cardiovasculares que, segundo o Ministério da Saúde, representam a primeira causa de óbitos no Brasil.

Diabetes é uma doença crônica que pode levar a várias complicações, como a necessidade da amputação de membros inferiores, que acontece devido a obstruções dos vasos das pernas, além da diminuição da sensibilidade em função da alteração dos nervos periféricos. O tabagismo também prejudica a circulação periférica, assim, o diabético fumante tem ainda mais risco de amputações de membros inferiores.

A nicotina interfere na ação da insulina, elevando os níveis de glicose no sangue. O cigarro também diminui o apetite, além de piorar o olfato e paladar, podendo interferir no controle adequado da alimentação, dificultando ainda mais o controle da diabetes. Se você é diabético e fuma, tem quatro vezes mais chances de ter um ataque do coração e 50% mais de chances de ter um derrame do que um diabético não fumante.

De acordo com estudos recentes, parar de fumar – especialmente para quem é diabético – beneficia a saúde, não importando a idade. Alguns benefícios, como a redução das dificuldades respiratórias, melhora na circulação sanguínea e na cicatrização dos tecidos – fator muito importante na doença diabética – começam logo que você parar de fumar. Por isso, não demore mais para tomar essa decisão, que pode salvar a sua vida.

O Hospital 9 de Julho apresenta  mais uma série Sua Saúde , falando sobre os malefícios do tabagismo. Nosso objetivo é informar a população, sem censurar as escolhas de cada indivíduo, para que cada um possa tomar a melhor decisão para sua saúde e seu bem estar. Se você se interessar, confira também os posts da série Sua Saúdesobre os efeitos do álcool no organismo.

 
Escrito em 02 de mar de 2010

Atividade física e diabetes

Categorias: Diabetes, Medicina do Exercício e do Esporte    Autor: Átila Iamarino   
 

A prática de atividades físicas é uma recomendação recorrente aqui no blog. Não é por menos: já vimos que, além de melhorar a qualidade de vida, atividades físicas podem ajudar na prevenção de doenças crônicas e até com de alguns tipos de câncer. Voltamos a mencioná-la hoje, como um fator importante no tratamento do diabetes.

Quando praticamos uma atividade física um dos processos que ocorrem é a utilização do açúcar disponível no corpo – a glicose – como fonte de energia para os músculos. Este mecanismo necessita de um hormônio produzido pelo pâncreas chamado insulina. Quando há uma deficiência de insulina no corpo e um aumento acima do normal de glicose no sangue, ocorre o tão conhecido diabetes.

Atividade física, prevenção e tratamento de diabetes têm muito em comum, como explica o Dr. Pablius Braga, do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte, do Hospital 9 de Julho.

O diabetes é considerado uma doença crônica, ou seja, de longa duração e relacionada, em boa parte, com bons hábitos alimentares e uma dieta bem personalizada pobre em açúcares e gorduras. Não chega a ser uma novidade, isto porque a dieta proposta para pessoas com diabetes é muito usada por pessoas que querem apenas emagrecer e não apresentam risco para desenvolver a doença. Ou seja, pelo cuidado e prevenção de obesidade.

A curto prazo, o exercício regula a quantidade de açúcar no sangue, já que os músculos consomem mais este carboidrato. Esse efeito pode se prolongar por horas, ou até mesmo dias, depois do exercício. Assim, o exercício aumenta a sensibilidade à insulina e também à captação de açúcar pelo músculo. A insulina é o hormônio responsável pela redução da taxa de glicose no sangue. A longo prazo ocorre a diminuição da gordura corporal, além do aumento da concentração de HDL-colesterol (também chamado de colesterol bom) e diminuição de LDL-colesterol (ou colesterol ruim). Também ocorrem a diminuição da pressão arterial, melhora no funcionamento cardiovascular, aumento de massa muscular e, como resultado, melhora da qualidade de vida. Muitos benefícios que vão além da condição diabética.

Claro que esse processo deve estar associado a estratégias para monitorar e controlar a glicemia, principalmente nos casos de diabetes 1, o que geralmente se apresenta na criança e ocorre por uma deficiência na produção de insulina. “O uso frequente de técnicas de auto-monitoração glicêmica e a implantação de insulinoterapia intensificada permitem ao portador de diabetes do tipo 1 desenvolver estratégias e ajustes no consumo de carboidratos e doses de insulina, para poder participar de maneira mais segura em um programa de atividade física.”, ressalta Dr. Pablius. Isso explica o porquê pacientes com diabetes tipo 1 precisam de um acompanhamento médico antes de começar uma atividade física mais intensa.

Já o diabetes do tipo 2, a mais comum, geralmente aparece na idade adulta e está muito associada à obesidade. Segundo o Dr. Pablius, “o risco de diabetes do tipo 2 aumenta à medida em que aumenta o IMC (índice de massa corporal)”. Essa é a relação entre altura e peso: quanto maior o peso, maior o número do índice. Para os portadores deste tipo de diabetes, os benefícios da atividade física são mais imediatos.

O Dr. Pablius ainda explica: “Prescrição de atividade física para o portador de diabetes do tipo 2 é um grande coadjuvante no tratamento e hoje, junto da necessidade de perder peso, uma das indicações mais apropriadas para corrigir a resistência à insulina e controlar a glicemia nesse tipo de diabetes (que representa 90% dos casos)”. Vale lembrar que a dieta praticada pela pessoa também é um componente importante do controle do diabetes tipo 2.

Mas antes de começar a se exercitar, não se esqueça que o tipo exercício e sua intensidade dependem do estado de saúde de quem pratica. Portanto, o paciente com diabetes deve primeiro consultar um médico do esporte. Assim, será possível ter um diagnóstico das possibilidades de prática de exercícios, levando em conta a aptidão e a condição física do paciente, como deixa claro Dr. Pablius: “O paciente portador de diabetes deve submeter-se a um exame clínico geral (fundo de olho, presença de neuropatia, osteoartrite, entre outros), avaliação física e cardiovascular, incluindo, sempre que possível, uma prova de esforço (ergometria ou ergoespirometria)”.
Uma boa relação de dieta alimentar com um gasto calórico pela prática saudável de atividade física são eficazes para perda de peso, melhora de condicionamento físico e um bom aproveitamento de nutrientes recebidos pela alimentação.

Portanto, para o diabetes, o exercício físico tem os seguintes benefícios:

  • Melhora a utilização de açúcar (glicose) pelos músculos devido ao aumento de gasto de energia no momento do exercício.
  • Melhora a sensibilidade das células para a insulina. Exatamente o que está com produção diminuída no diabetes.
  • Diminui a gordura corporal, ou massa gorda que é tão ruim para quem tem diabetes quanto para quem quer tratar obesidade ou preveni-la. Diminuindo a gordura corporal a utilização de insulina pelas células torna-se mais eficaz .
  • Com a melhora a capacidade cardiorrespiratória, a circulação do corpo como um todo melhora. Consequentemente, a ação de medicamentos utilizados no tratamento de diabetes torna-se melhor.
  • Melhorando o tratamento de diabetes fatores como motivação, auto-estima e vontade para novos desafios tornam-se mais presentes.
  • Diminuiu a ansiedade para comer por exemplo. Este um fator muito importante, porque o exercício físico e a dieta saudável funcionam como reguladores do apetite.

Com uma boa orientação, feita pelo médico do esporte você vai descobrir que atividades como alongamento, atividade aeróbia (caminhada, corrida e bicicleta) e atividade de força ( a conhecida musculação) podem ser a chave de seu sucesso no tratamento e em seu investimento na sua saúde e forma física. Mas não se esqueça, o exercício físico deve ser prazeroso e deve atender às suas necessidades. Escolha uma modalidade de exercício que lhe agrade e que você tem certeza de que o fará feliz.

Diante de tantos argumentos, fazemos a pergunta: vale ou não a pena fazer exercício físico? Se a resposta é sim, procure um especialista em medicina do esporte e descubra: o que eu posso fazer de exercício físico, qual a carga de esforço saudável para mim e até onde eu posso chegar?