
Quando ocorre uma discrepância no crescimento e formação dos maxilares de um indivíduo, acontecem as chamadas deformidades dentofaciais. Elas envolvem tanto a parte dentária quanto a parte esqueletal, e podem ocorrer por questões genéticas ou maus hábitos durante a infância.
Esse tipo de deformidade é mais comum do que se imagina. “Quando um maxilar cresce mais do que o outro, a mordida fica desalinhada”, explica o Dr. Luciano Del Santo, cirurgião bucomaxilofacial do Hospital 9 de Julho. “Isso sobrecarrega um dos lados do rosto, fazendo com que o paciente tenha má oclusão, ou seja, uma mordida torta”. Essa mordida errada causa instabilidade no osso móvel da face, chamado mandíbula, que provoca não só uma alteração estética da face, mas também dores e estalos na articulação têmporo-mandibular (ATM), dificuldades respiratórias, de abertura bucal, de deglutição, entre outros problemas.
Uma característica desse tipo de disfunção é a chamada dor difusa. “O paciente não consegue apontar exatamente a origem da dor”, continua o dr. Del Santo. “Ele acaba reclamando de dores de cabeça ou sente dores de ouvido, dor no fundo do olho. Mas os exames não apontam nada. Por exclusão das áreas de neurologia, otorrino e oftalmologia, descobre-se que a origem é na articulação. Isso acontece pela proximidade dessas estruturas na lateral da cabeça”.
O tratamento, porém, é simples. Para o caso de desalinhamento dos maxilares, dentes tortos, ou estalos na ATM, recomenda-se uma combinação de procedimento cirúrgico e ortopedia. “Os aparelhos deixam os dentes bem posicionados em relação aos respectivos ossos, independente da relação entre eles”, conta o dr. Luciano. “Já o tratamento cirúrgico reposiciona os maxilares para buscar um equilíbrio e estabilidade da mordida”. Esse procedimento cirúrgico é chamado cirurgia bucomaxilofacial. O paciente fica um dia internado e sai da cirurgia podendo falar e se alimentar normalmente. “Antigamente, o paciente chegava a ficar 45 dias sem poder falar, se alimentar e nem respirar adequadamente”.
Não existe cicatriz externa, o procedimento é realizado totalmente dentro da boca. Os materiais de fixação utilizados, como mini-placas e parafusos de titânio, são extremamente delicados, de modo que o paciente só consegue vê-los com raio-x. E além de corrigir o posicionamento estético e funcional da boca, o tratamento tem um benefício psicológico, elevando a auto-estima consideravelmente.
Vale lembrar que o tratamento ortopédico só funciona para corrigir o posicionamento dos maxilares quando o paciente está em crescimento. Quando adulto, a cirurgia é o único método para correção, a partir de 18 anos para mulheres, e 21 anos para homens. “Em alguns casos, a cirurgia acontece mais cedo,” — conta o dr. Luciano Del Santo — “se a diferença dos maxilares é muito grande e não há tempo hábil para corrigir isso apenas com o tratamento ortopédico”.
O Hospital 9 de Julho ministra a Jornada Bucomaxilofacial no dia 11 de Setembro, que vai reunir médicos, profissionais de saúde e estudantes para falar sobre estes e outros assuntos relacionados a deformidades da face. Todo o tratamento, desde o início, os sinais e sintomas, a preparação, a cirurgia, até o pós-operatório. Quer participar? Então não perca tempo e inscreva-se antecipadamente pelo telefone (11) 3147-9644.
