Diabetes é o nome dado a doenças que causam aumento na quantidade de glicose no sangue (hiperglicemia). A glicose é muito importante para nosso metabolismo e é a principal fonte de energia do corpo. Mas não é por ser necessária que pode estar presente no sangue sem controle. O aumento do índice glicêmico gera uma série de problemas, em sua maioria, circulatórios. Segundo a Dra. Roberta Frota Villas Boas, endocrinologista do Hospital 9 de Julho, se não há um controle na quantidade de glicose no sangue, “todo o sistema vascular do diabético é comprometido, principalmente a circulação periférica, membros inferiores, dos olhos, ouvidos, rins e coração.”
Esse aumento pode ocorrer por vários motivos. Na diabetes tipo 1, ou diabetes juvenil, acontece uma resposta auto-imune do corpo (um ataque a si mesmo) contra as células produtoras de insulina no pâncreas. Sem a insulina produzida por elas, as células têm dificuldade em absorver o açúcar do sangue, que acaba se acumulando. Este tipo de diabetes geralmente se manifesta cedo e subitamente, quando a criança ou o adolescente começa a urinar com frequência ou perder peso sem causa aparente. No entanto, quando descoberta, pode ser tratada com injeções de insulina.
Já na diabetes do tipo 2, ou diabetes do adulto, o corpo pode perder a sensibilidade à insulina ou diminuir a produção dela. O tipo 2 é muito mais comum e sua incidência vem aumentando progressivamente. Suas consequências são as mesmas da diabetes tipo 1: hiperglicemia e problemas circulatórios. O tratamento pode ser feito com remédios que aumentem a sensibilidade ou estimulem a produção de insulina e em muitos casos é utilizada a própria insulina. Como essa condição pode ocorrer gradualmente, não é raro o diabético só descobrir a doença depois de conviver anos com o problema. Segundo a endocrinologista, “é comum a pessoa só descobrir por acaso, em um exame de rotina ou pré-operatório. Há casos de quem descubra em campanhas promovidas na empresa que trabalha. Por isso é importante checar a glicemia sempre.”
Há também a diabetes gestacional, que é uma hiperglicemia durante o período da gravidez. Embora exija cuidados e possa se resolver com o fim da gravidez, aumenta as chances da mãe posteriormente desenvolver diabetes tipo 2.
As causas também variam de acordo com o tipo de diabetes. A diabetes tipo 1 tem uma grande influência genética e alguma ambiental, como infecções. A do tipo 2 possui alguma influência genética, já que a ocorrência na família é um indicador de probabilidade, mas o principal componente é ambiental. O aumento de peso, tabagismo e a falta de exercício contribuem bastante. Conforme a Dra. Roberta explica, “a obesidade é um dos maiores fatores de risco para a diabetes do tipo 2. Como a população em geral está cada vez mais pesada, a incidência deste tipo tem crescido.”
Embora a diabetes juvenil não possa ser prevenida, a diabetes do adulto pode. Uma alimentação equilibrada, controle do peso e exercícios físicos regulares podem contribuir muito para evitá-la ou retardar o seu aparecimento. “O diabético sofre com algumas complicações em seu organismo, seu sistema vascular é comprometido e, com isso, são mais frequentes as infecções e problemas cardíacos. Quem tem histórico desta doença na família deve se cuidar mais. Perder peso e não fumar são medidas bastante eficientes para isso”, completa a Dra Roberta, ressaltando que os hábitos de vida são muito importantes na prevenção da doença.



















