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Escrito em 27 de mai de 2011

Finasterida, calvície e o câncer de próstata

Categorias: Oncologia    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

Finasterida é um medicamento que, apesar de ser muito popular, é polêmico. Ele é, basicamente, um inibidor da enzima que converte a testosterona (hormônio masculino) em DHT (di-hidrotestosterona), diminuindo a próstata. O “sucesso” do medicamento se deu à descoberta posterior da sua utilidade no combate à calvície.

Para entender melhor os porquês do sucesso e da polêmica, falamos com o Dr. Paulo Rodrigues, urologista do Hospital 9 de Julho. “A finasterida começou a ser produzida no início dos anos 1990 com o intuito de reduzir o tamanho da próstata de alguns pacientes”, diz o médico. Esse procedimento foi benéfico em casos de crescimento benigno da próstata, eliminando, principalmente, a dificuldade que esses pacientes sentiam ao urinar.

Um estudo de sete anos foi conduzido pelo Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos para avaliar os efeitos da finasterida. Mais de 18.800 homens foram acompanhados nesse período, após o qual foi descoberto que o medicamento poderia prevenir o câncer de próstata, sendo, hoje, o único método de prevenção conhecido.

No mesmo estudo, foi observado que os pacientes que tomaram o medicamento e eram calvos tiveram a queda de cabelos reduzida. A partir daí, a finasterida começou a ser comercializada com uma dosagem menor como tratamento de calvície”, explica o Dr. Paulo Rodrigues. Isso deu esperança aos que sofrem com a calvície e popularizou o medicamento em todo o mundo.

Porém, o estudo também levantou alguns efeitos colaterais que podem ocorrer quando tomamos finasterida. Entre eles estão a diminuição do músculo, queda dos níveis de testosterona (e, consequentemente, da libido), redução da fertilidade e, em casos extremos, disfunção erétil. “O efeito colateral mais sério da finasterida é o fato do seu consumo poder dificultar a detecção precoce do câncer de próstata”, alerta o médico. “No estudo, o grupo que tomou o remédio teve menos casos de câncer, mas os tumores eram maiores”, explica.

Isso não quer dizer que a finasterida não deve ser considerada para tratamento ou usada; os efeitos costumam ser revertidos quando o tratamento é interrompido. “Na maioria dos casos, o medicamento só é utilizado para prevenir o câncer nos grupos de risco: homens com mais de 55 anos ou que tenham histórico da doença na família”, diz o Dr. Paulo Rodrigues. Ressaltamos que, tanto no caso da calvície ou da próstata, a consulta e acompanhamento médico são fundamentais.

 
Escrito em 13 de ago de 2010

Métodos contraceptivos influenciam no desejo sexual?

Categorias: Falando em Saúde    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

Se essa pergunta fosse feita há 50 anos, a resposta seria sim, uma vez que os anticoncepcionais, naquela época, continham altas doses de hormônios sintéticos, como o estrogênio e o progestágeno, que afetam a libido. Mas, nos dias de hoje, ao contrário do que muitos desconfiam, o desinteresse sexual, também chamado de desejo sexual hipoativo, dificilmente é causado pelos métodos contraceptivos.

De acordo com uma matéria publicada na revista Gloss de março, a grande mudança aconteceu quando as pílulas deixaram de ter como efeito colateral a redução do nível de testosterona da mulher, hormônio responsável pelo apetite sexual. A testosterona é produzida nos ovários, e em quantidades pequenas pela glândula supra-renal, ambos controlados pela hipófise. As pílulas de hoje em dia atuam cortando o suprimento da hipófise, entretanto, sem afetar a carga produzida pela supra-renal, mantendo assim o desejo sexual.

Então, o que pode afetar a libido na mulher? O próprio emocional pode ser a origem do problema, se ela passou por muito estresse no trabalho ou está com problemas financeiros. Todos esses fatores podem colaborar para a queda da libido. Assim como os efeitos colaterais de remédios antidepressivos, por exemplo, podem comprometer o apetite sexual.

Além da testosterona, outros hormônios, como a prolactina e os T3 e T4, produzidos pela tireóide podem influenciar a libido. Segundo a Dra. Roberta Villas Boas, endocrinologista do Hospital 9 de Julho, se a tireóide, glândula localizada no pescoço, não funcionar direito, muitas funções do organismo podem ser danificadas.

Algumas pessoas são geneticamente predispostas a terem problemas com a tireóide, em especial, o hipotireoidismo, doença autoimune em que o organismo produz anticorpos que “atacam” o T3 e T4. As principais conseqüências são:

  • Depressão
  • Sonolência
  • Falta de concentração
  • Ganho de peso
  • Mudanças no ciclo menstrual
  • Infertilidade
  • Desinteresse sexual

Para descobrir se a causa do seu desinteresse sexual está nos níveis alterados dos hormônios citados acima, é preciso fazer um exame de sangue, que medirá o nível de TSH, um hormônio secretado pela hipófise e responsável por estimular a tireóide a produzir T3 e T4. Se a quantidade de TSH estiver alta no organismo da mulher, é provável que a tireóide esteja com problemas. O tratamento é feito a base de comprimidos que contem T3 e T4, prescritos por seu médico. Por isso, faça exames periódicos se perceber os sintomas e não deixe de consultar seu médico.