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Escrito em 06 de jan de 2012

Você está em condições saudáveis para ‘por o pé na estrada’?

Categorias: Sua Saúde    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

Quem se programa para viajar, seja a lazer ou a negócio, sabe que precisa fazer um check list de todos os passos para dar tudo certo: pesquisar preço de passagens, reservar hotel, montar o roteiro da viagem, arrumar as malas, revisar o carro – se a viagem for por terra, etc. Mas não é só isso. Muita gente esquece que durante uma viagem, podem ocorrer complicações de saúde mais graves e que resultam até em óbito, em alguns casos. Para isso, o recomendável é consultar um médico antes de viajar e saber as condições de saúde.

Para quem procura os serviços da medicina do viajante, primeiramente é submetido a uma triagem onde são obtidas informações sobre o itinerário, tempo de estada, tipo de viagem (negócios, lazer, missão etc.), histórico de saúde e de vacinação do viajante. “Com esses dados é possível traçar um programa preventivo, fornecer orientações e indicar vacinas. Se as condições de saúde estiverem boas e o histórico vacinal em ordem, o paciente está apto para sair do país”, afirma Dra. Sumirê Sakabe, infectologista.

A medicina do viajante atua não só na parte de imunização, mas também na medicina de altitude, aplicada ao mergulho, prevenção de trombose venosa profunda, prevenção de doenças tropicais, entre outros. Recomenda-se não ingerir água que não seja industrializada (ou fervida, ou com hipoclorito de sódio) e não ingerir alimentos crus. Inclusive, em todo país é preciso cuidar da dieta, evitar excessos na ingestão de bebidas alcoólicas, contato com animais, proteger-se de mosquitos e não entrar no mar ou em locais sem sinalização de perigo, entre outras medidas.

“Infelizmente, a maioria das pessoas desconhece essa área da medicina e não procura assistência médica. Isso talvez deva ocorrer por ignorar os riscos reais aos quais estará submetido e ou por desconhecimento de serviços de orientação de saúde do viajante”, conclui a médica.

Algumas dicas:

Durante a viagem: o que posso levar?

Para quem vai viajar fora do país, o mais indicado é levar os medicamentos habituais, de preferência na bagagem de mão. A recomendação é levar analgésicos comuns, antieméticos e antialérgicos, desde que estejam acompanhados da prescrição médica em inglês, que pode ser feita pelo próprio médico, se ele souber o idioma ou pelo médico do serviço de viajante.

Onde posso fazer a triagem de prevenção?

Tanto serviços públicos como privados, fazem a triagem para o viajante. Entretanto, os serviços públicos são a maioria por estarem ligados, geralmente, a universidades e centros de vacinação.

Quais as orientações para quem vai viajar?

Primeiro consultar um médico do viajante, de preferência, com um mês de antecedência, depois procurar orientações sobre os locais a serem visitados, possíveis doenças comuns e, se houver indicação, vacinas a ser tomadas.

Quais vacinas devo tomar?

É muito importante que procure um serviço de medicina do viajante para esclarecer as vacinas que devem ser aplicadas para cada destino. De acordo com o Dra. Sumirê Sakabe, são múltiplas as possibilidades de indicação de vacinas. “As mais indicadas são para febre amarela, hepatite A e as que compõem o calendário básico de vacinação”, esclarece.

Confira algumas vacinas e em quais países são mais indicadas:

Febre Amarela

Brasil: regiões Norte e Centro-Oeste, Maranhão, Minas Gerias, Bahia, sudoeste do Paraná (inclusive Foz do Iguaçu) e oeste de São Paulo. Exterior: Países da África e América do Sul, onde a doença é endêmica. Alguns países da Ásia e da Europa exigem dos viajantes procedentes de áreas endêmicas

Febre Tifoide
Principalmente para a África e sudoeste asiático

Hepatite A
África, Ásia e América Latina, com exceção do Chile e Argentina

Poliomielite
Angola, Índia, Bangladesh, Timor Leste e Paquistão

Sarampo
Reino Unido, Alemanha, Itália, Japão, Coréia, Paquistão, Filipinas, Venezuela, República Dominicana e Haiti

Tétano e difteria
O risco de tétano existe em qualquer lugar do mundo. Quanto à difteria, há surtos ocasionais no mundo

 
Escrito em 05 de out de 2009

Inclua orientações médicas na sua bagagem

Categorias: Falando em Saúde    Autor: Hospital 9 de Julho   
 

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Dr. Gustavo Henrique Johanson, infectologista do Hospital 9 de Julho

Levar o carro para a oficina mecânica antes de uma viagem é o tipo de recomendação que já  estamos acostumados, mas que tal incluir algumas orientações médicas na sua bagagem e visitar também um especialista em Medicina do Viajante antes de começar a sua excursão?

Muita gente deduz que essa especialidade se resume as doenças infecciosas, mas o Dr. Gustavo Henrique Johanson, médico infectologista do Hospital 9 de Julho, esclarece que isso ocorre em função da maioria dos profissionais da área terem essa formação, o que não exclui diversas outras problemáticas do foco de atenção desses médicos.

“De forma geral podemos dizer que a Medicina do Viajante se preocupa com o indivíduo antes, durante e depois da viagem em si, ou seja, orienta o paciente de acordo com seu itinerário, prescreve as vacinas e medicamentos necessários levando em conta todo seu histórico e ainda acompanha o tratamento de doenças que essa pessoa possa ter adquirido durante a estadia longe de casa” afirma o Dr. Johanson, exemplificando a vastidão dessa área de atuação.

Antes de viajar é necessário consultar se o seu destino faz parte de uma área endêmica ou se está passando por um surto de alguma doença. Em geral, a vacinação ou o uso preventivo de medicação pode evitar possíveis problemas.

Cada local possui suas particularidades e é preciso estar atento. Meca, por exemplo, é uma cidade de aproximadamente 400 mil habitantes, mas que durante as peregrinações recebe mais de 2 milhões de visitantes, tornando-se um local de alto risco de contaminação por doenças respiratórias como a Meningite Meningocócica e de ocorrência de traumas, por causa da alta aglomeração de pessoas em espaços reduzidos. Já o Zimbábue faz parte de uma área endêmica de cólera e a Alemanha tem no seu histórico surtos de sarampo.

O Brasil, por causa das suas dimensões continentais, é o tipo de destino que o viajante precisa apresentar dados específicos sobre o itinerário para que o médico possa dar as orientações adequadas. “Viajar para São Paulo e para a região da Floresta Amazônica, com certeza exige orientações e prevenções diferenciadas. Para ir até as florestas é preciso usar muito repelente para evitar os insetos que podem transmitir, entre outras doenças, a dengue. Já para combater a malária, é possível prescrever alguns medicamentos preventivos. E enquanto isso, para viajar até São Paulo, orientamos as pessoas a terem muito cuidado com o trânsito e com o consumo de alimentos oferecidos por ambulantes” explica o Dr. Johanson.

O percurso e o meio de transporte também são somados ao histórico médico do viajante para que as orientações sejam satisfatórias. Segundo o especialista, fatores de risco como obesidade, uso de anticoncepcional, tabagismo e idade avançada podem ser agravados em viagens de mais de 6 horas de avião, em função da pouca mobilidade, e por isso alguns exercícios são prescritos para que não existam seqüelas desse tipo de viagem, como uma Trombose Venosa Profunda (TVP).

Grávidas e crianças com menos de 6 meses também recebem orientações especiais, pois possuem contra indicações para algumas vacinas, como a Tríplice Viral no caso das gestantes e a vacina contra a febre amarela em ambos os casos.

Para os adeptos de regiões montanhosas, o médico pede mais atenção quando não houver tempo para a aclimatização e a altitude for superior aos dois mil metros. “Alguns medicamentos podem acelerar a adaptação e evitar o que é comumente chamado de mal da montanha, cujos sintomas são mal estar, dor de cabeça e náuseas”, afirma.

Mas mesmo com a grande variedade de doenças, os dados estatísticos ainda mostram que o trauma é a principal causa de morte nas viagens. “As orientações não são nenhuma surpresa para os viajantes, mas em posse desses dados, nos sentimos na obrigação do cumprimento da nossa função de orientar repetidas vezes: se vai viajar de moto, use capacete; viajar de carro, não esqueça o cinto de segurança, mesmo que seja no banco traseiro; não consuma álcool antes de dirigir, respeite os limites de velocidade, atenção redobrada com o possível afogamento de crianças e cuidado com tumultos típicos de cidades turísticas” conclui o Dr. Johanson.

A Medicina do Viajante é  uma especialidade que já existe há 18 anos no mundo e começou a ser exercida no Brasil 10 anos atrás. Portanto, lembre-se de colocar esse conhecimento em sua bagagem para trazer de volta das suas viagens apenas boas recordações.