
Médico responsável pelos serviços de Neurocirurgia do Hospital 9 de Julho, Dr. Luiz Carlos Favaro, nas horas vagas dedica seu tempo a cultivar livros. O interesse pela leitura vem desde a infância: “Sempre gostei de livros. Quando aprendi a ler comecei a colecionar livros”. Hoje dono de uma coleção de cerca de 2000 livros, guarda ainda alguns poucos dessa época. “Quando era pequeno, os livros eram muito caros, uma raridade, ganhávamos dois ou três por ano”, relembra.
Nascido no interior de São Paulo, mudou-se para Rio Grande do Sul, onde formou-se em Medicina, voltando pouco tempo depois para São Paulo para fazer sua residência. Além disso, chegou a cursar a universidade de Edimburgo, na Escócia. Com tantas mudanças de endereço, alguns livros acabaram ficando perdidos pelo caminho. Se não fosse por isso, sua coleção hoje seria ainda maior.
Com livros espalhados por todo o apartamento, a biblioteca privada do Dr. Favaro conta com diversas edições sobre Ciências Humanas, grande paixão do médico. Ele também possui o diploma de bacharelado em Filosofia, mãe de todas as ciências humanas, que levou-o a ler mais e mais, buscando livros dos mais diversos assuntos, desde Sociologia e Política, até Antropologia e História. Fã de Karl Marx, Santo Agostinho e Descartes, ele acredita que as ideias propostas por esses filósofos ainda continuam vigentes nos dias de hoje.
“Lembro que um professor de Filosofia dizia: ‘Cuidado com a pessoa que lê um livro só, a opinião dele é fundamentada apenas naquele um livro’.” Conselho desse médico a todos que pretendem iniciar uma biblioteca privada: independente do interesse literário, o ideal é diversificar. “Ela (biblioteca) funciona como um espelho”, afirma. Por meio do conteúdo de uma biblioteca é possível analisar a pessoa, saber com quem estamos lidando.
Além disso, Dr. Favaro acredita que cada livro é como um filho, todos têm uma história. Às vezes a procura por uma edição específica pode demorar anos até que se consiga um exemplar. Já aconteceu de não chegar a achar o livro em si, mas uma cópia. Na hora da compra, o médico faz uso de alguns critérios, como: referencias bibliográficas de livros que possam agradá-lo e indicações em palestras e cursos, além de ter uma atenção especial a respeito do autor, editora e, principalmente, do tradutor.
Apesar de já ter vivido no exterior, o médico tem, em sua maioria, livros em português. “Não gosto muito de livros em outros idiomas, pois mesmo com o domínio da língua estrangeira, perde-se muito tempo para ler”. E como tempo é algo muito importante na profissão de um médico, ele acaba tendo que priorizar livros na língua nativa.
Seus projetos para o futuro incluem catalogar todos seus livros, organizando-os em locais mais adequados. “Tenho dois, três volumes do mesmo livro, pois é difícil encontrar, então acabo comprando a mais para sempre ter em mãos.” Além disso, como sua coleção inclui algumas preciosidades, “não gostaria que caíssem nas mãos de vendedores que os comercializariam por quilo”. Por isso, o Dr. Favaro pretende doar sua coleção para uma biblioteca pública, desde que a escolhida tenha um bom serviço de manutenção, garantindo o devido cuidado e respeito que os livros merecem, assim como seus pacientes.




















