
De acordo com o professor Dr. Carlos Walter Sobrado, Coloproctologista do Hospital 9 de Julho, a doença hemorroidária é a patologia de maior incidência em coloproctologia. Estima-se que nos países industrializados cerca de 40% dos pacientes acima de 40 anos tenham ou já tiveram algum de seus sintomas.
Os principais sintomas da doença hemorroidária são: sangramento anal, desconforto anal, ardência, prurido(coceira), prolapso, mucorréia (saída de muco e secreção pelo ânus), dermatites entre outros.
O sangramento é a principal característica da doença hemorroidária, porém não se limita a ela, podendo ocorrer em outros problemas anais tais com: tumores, fissura anal, doença diverticular, pólipos, hemangiomas entre outras.
Por isso, se o sangramento se apresentar, é extremamente importante procurar um médico coloproctologista, para um correto diagnóstico que levará a um tratamento apropriado.
Sabe-se que a doença hemorroidária pode prejudicar consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes, mesmo assim, um terço dos portadores desta patologia nunca procurara um médico.
Como o tratamento cirúrgico convencional é conhecido por ter um período de pós-operatório muito doloroso, com muito sofrimento, queda na qualidade de vida e longo tempo longe de suas atividades diárias, muitas pessoas evitam procurar atendimento com medo de ter que se submeter à Hemorroidectomia. Esta situação é muito perigosa, pois os sintomas podem ser sinais de uma doença mais grave (por exemplo, neoplasia de intestino), e a demora no diagnóstico pode ser muito prejudicial ao tratamento.
Hoje em dia, grandes avanços ocorreram na área de Coloproctologia, com o desenvolvimento de novas técnicas que podem ser utilizadas no tratamento das hemorróidas sintomáticas, no ambulatório ou no consultório – com procedimentos minimamente invasivos e sem a necessidade de internação – com mínima dor e com retorno rápido às atividades sociais e profissionais.
É importante ressaltar que apenas 10 a 20% das pessoas que procuram tratamento para a doença vão necessitar de tratamento cirúrgico, ou seja, a grande maioria será tratada com procedimentos menos invasivos e isto dependerá do grau e classificação da hemorróida.
As hemorróidas internas podem ser classificadas em 4 graus, de acordo com a intensidade do prolapso e sangramento:
1º Grau: tem sangramento, mas não tem prolapso;
2º Grau: sangra e tem prolapso que regride espontaneamente;
3º Grau: sangra e tem prolapso que necessita manobras digitais para retornar ao interior do canal anal;
4º Grau: sangra e ficam sempre exteriorizadas (não retornam ao interior do canal anal).
Tradicionalmente a doença hemorroidária de 1º e 2º graus é tratada por métodos conservadores (mudanças na dieta e estilo de vida, ligadura elástica e coagulação com raios infravermelhos), sendo os métodos operatórios indicados para os casos mais avançados.
Na última década, alguns estudos realizados com ultrasom e Dopler em portadores de doença hemorroidária revelaram que, além do processo degenerativo do músculo de Treitz (músculo que mantêm as hemorróidas no interior do canal anal), as pessoas afetadas possuíam hiperfluxo arterial (aumento da pressão e o fluxo das artérias hemorroidárias), isto é, o sangue sai da artéria e vai para as veias hemorroidárias com maior velocidade levando à lesão e à congestão venosa, e consequentemente determinando estase, edema, sangramento e prolapso dos mamilos hemorroidários.
Como resultado destes estudos, foi proposta uma nova abordagem no tratamento da doença hemorroidária, que consiste na ligadura arterial (Desarterialização) e fixação das hemorróidas no interior do canal anal (Lifting ou hemorroidopexia). Técnica que é muito menos dolorosa, já que não há necessidade da realização de cortes e incisões no canal anal ou pele perianal.
Nas últimas duas décadas, foram desenvolvidos outros procedimentos menos invasivos, tais como a hemorroidopexia por grampeamento (Grampeamento ou Stapler), na tentativa de aliviar o desconforto pós-operatório, estes procedimentos cirúrgicos, apesar de oferecerem alternativas menos dolorosas, apresentaram índices de reincidência maiores que os métodos tradicionais.
Pode-se dizer que esta técnica, por não necessitar de excisão (incisões) de tecidos, causa trauma tecidual menor e, consequentemente, diminui expressivamente a dor no pós-operatório, porque trata a fisiopatologia da doença hemorroidária (hiperfluxo, dilatação e prolapso) na sua totalidade.
Assim, uma opção altamente viável no tratamento cirúrgico da doença hemorroidária é o tratamento com o sistema de THD (Transanal Hemorrhoidal Dearterialization – instrumento especialmente projetado). O procedimento é simples e de fácil execução, realizado através do canal anal, com leve dilatação (anuscópio próprio com sonda doppler).
No procedimento, pode-se identificar através do Doppler os ramos arteriais e, neles, se faz a ligadura, levando à redução do hiperfluxo arterial. Em seguida, faz-se a elevação e fixação do prolapso hemorroidário no interior do ânus.
A técnica é minimamente invasiva, na verdade, é o procedimento menos invasivo já desenvolvido; os plexos hemorroidários com seus coxins não são removidos, mantendo assim uma estrutura anatômica importante no mecanismo da defecação e na continência das fezes.
De acordo com o médico, a cirurgia pode ser realizada com sedação associada à analgesia, ou outro tipo de anestesia, tornando possível a execução em “Day hospital” (apenas um dia no hospital).
As indicações para este tipo de tratamento podem ser - As hemorróidas de grau II, refratárias-recidivantes, III, e grau IV (se houver plicomas será necessária sua ressecção).
“Por estas razões, estamos confiantes de que com a ampliação da utilização deste procedimento que é menos doloroso, com consequente retorno mais precoce às atividades sociais e laborativas, os pacientes se tornarão progressivamente menos receosos e, com menor ansiedade e medo de se submeter ao tratamento cirúrgico.” Conclui Dr. Carlos Walter Sobrado.














