Todos os anos milhares de pessoas morrem em decorrência de traumas graves por acidentes de trânsito ou por sequelas ocasionadas pela demora ou falha no atendimento inicial. Por isso é importante que, quando o trauma já aconteceu, a pessoa receba um atendimento rápido e focado no controle e estabilização de seu quadro clínico para evitar o óbito e minimizar possíveis sequelas.
Segundo o Dr. Renato Poggetti, cirurgião responsável pelo Centro de Trauma do Hospital 9 de Julho, em um acidente de trânsito, depois do resgate e transporte adequados, realizados por serviços de emergência, a medida mais importante para a pessoa com um trauma grave normalmente é a Cirurgia de Controle de Danos.
O especialista explica o procedimento: “Cirurgiões especializados em traumas realizam uma cirurgia exploratória, quando irão estancar hemorragias e buscar por ferimentos que possam contaminar outras partes do corpo, evitando a piora do quadro”, salienta. Depois dessa primeira intervenção, o paciente vai para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até ficar estável para a cirurgia definitiva.
Ferimentos recentes e a dificuldade de visualização de todas as possíveis lesões não permitem um tratamento definitivo no primeiro momento. “Quando o paciente traumatizado chega ao hospital a equipe médica que o atenderá não o conhece e não sabe a extensão dos danos fisicos causados pelo acidente”, explica o especialista.
A Cirurgia de Controle de Danos favorece a recuperação do choque inicial ocasionado pelo acidente e a pessoa pode, assim, ter mais força para aguentar cirurgias demoradas, como as de recuperação de tecidos musculoesqueléticos. “A espera é importante porque nos primeiros dias após o acidente a pessoa tem um desequilíbrio fisiológico muito grande e uma cirurgia demorada pode levá-la a morte”, finaliza.
A técnica, que começou a ser utilizada na década de 1980, permite uma redução significativa da mortalidade em traumatizados graves com relação à cirurgia definitiva realizada em apenas uma etapa.
















